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Quem nunca ficou com medo antes de começar um novo emprego ou preocupado com as contas a pagar que atire a primeira pedra. A ansiedade – nesses e nos diversos âmbitos da vida – é um fenômeno mais comum do que se imagina. Característica natural de todos os seres humanos que, para a psicologia, ajuda a sinalizar riscos e escolher comportamentos seguros, ela pode, entretanto, tornar-se um problema. Diversos transtornos surgem da ansiedade exagerada, como pânico, fobia social e transtorno obsessivo compulsivo.

Ressecamento da pele, manchas vermelhas na região do peito e insônia já são normais para o bibliotecário José do Nascimento, 33 anos, todo fim de mês, antes de receber o salário. Conhecido como “barba branca” entre os amigos devido ao problema, ele precisou se consultar com quatro dermatologistas para descobrir que o problema, na verdade, era psicológico. Os sintomas de José são apenas alguns dos que podem atingir pessoas excessivamente preocupadas. De acordo com a psicóloga Luciana Gropo, a ansiedade pode causar vários outros sintomas físicos e emocionais, como:

• Sudorese
• Aumento de batimentos cardíacos (taquicardia)
• Sensação de desmaio
• Falta de ar
• Formigamento nos braços e nas pernas
• Angústia
• Pensamentos negativos

O bibliotecário diz que passou a ser muito ansioso nos últimos anos. Segundo Luciana Gropo, os transtornos de ansiedade podem começar tanto na infância quanto na vida adulta, sendo mais comuns entre as crianças o transtorno de ansiedade devido à separação e fobias específicas. “Sou ansioso por natureza. Antes das provas de triatlo; quando uma compra que faço pela internet está perto de chegar; perto da data do meu filho nascer. Quando preparo uma aula, por mais que domine o assunto, fico muito nervoso. Isso atrapalha muito”, conta José.

Depois de até ficar com parte do corpo paralisado por causa da preocupação exagerada, decidiu praticar esportes e se distrair – além de sempre andar com hidratante para passar no rosto, que despela pela ansiedade. A psicóloga afirma que o controle da ansiedade está ligado às suas causas: pensamentos automáticos e percepção sobre o problema distorcidos.

É importante buscar profissionais para analisar quais foram os motivos do transtorno e quais são as terapias mais adequadas para cada pessoa. No entanto, há alguns métodos que ajudam nesse controle, como relaxamento muscular e respiração diafragmática. “O planejamento adequado do dia, em que as atividades se adequem ao tempo disponível para realizá-las, sem acumulo de tarefas, e a busca de experimentar prazer e satisfação nos afazeres diários são também condutas adequadas”, explica Luciana Gropo. Um dos tratamentos muito indicados pela psicóloga é a psicoterapia cognitivo comportamental.

Se houver necessidade de usar medicamentos, a avaliação deve ser feita por um psiquiatra. Foi o caso da comunicóloga Ana Barros, 32, que desenvolveu depressão há cerca de três anos. Entre as causas da doença, estão baixa autoestima e ansiedade. Depois de consultas com um psiquiatra, que prescreveu um antiansiolítico e indicou terapia com psicólogo.

Ana afirma que percebeu o problema observando as próprias atitudes e comparando com as das outras pessoas. “Acho que é normal ficar ansioso com as mudanças. Começa assim comigo, mas, em questão de segundos, já fico com taquicardia, dor de cabeça, pico de pressão.” O que mais preocupa a comunicóloga é a incerteza, tanto na vida pessoal quanto na profissional. “Não tenho capacidade de esperar as coisas acontecerem, sempre precipito tudo, o que pode me prejudicar. Uma prova é que nunca consigo me manter por muito tempo em relacionamentos porque não consigo esperar o tempo dos outros”, conta. Ana deixou a terapia antes de receber alta, porém pretende voltar.

 

Crédito: Amanda Miranda

Fonte: UOL

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