Por Marina Oliveira e Suzel Tunes, do UOL, em São Paulo | Imagens: Jeff/UOL

Jeff/UOL

Jeff/UOL

 

São muitos os métodos existentes para tratar a psique humana. Em comum, todos eles têm a comunicação verbal como principal recurso de tratamento, é a cura pela fala. Mas para que a terapia seja eficaz, é preciso que o paciente se identifique com o que está sendo proposto. Assim, fica mais fácil lidar com os incômodos do processo (que, em muitos momentos, demanda aprofundar-se na dor para aliviar problemas emocionais). Para ajudá-lo a acertar na escolha do especialista, o UOL Comportamento explica, a seguir, as principais características de diferentes tipos de psicoterapia. Consultoria: Aurélio de Melo, psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Ana Merzel, coordenadora do serviço de psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein e autora do livro “Psicoterapias: Abordagens Atuais” (Editora Artmed).

Jeff/UOLPSICANÁLISE

O método diz respeito às abordagens psicológicas herdeiras dos estudos desenvolvidos pelo médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939). Ao tratar pacientes psiquiátricos por meio da hipnose, Freud descobriu que muitos sintomas de sofrimento mental desapareciam quando a pessoa acessava conteúdos inconscientes da mente. Por isso, a técnica estimula que o paciente expresse-se sem censura e faça associações livres entre pensamentos, fantasias, emoções e sonhos. O analista faz o papel de um ouvinte atento, que, de tempos em tempos, interrompe o paciente para que ele reflita sobre significados que podem estar ocultos em sua fala, como uma maneira de desvendar o inconsciente. O tratamento pode durar vários anos; por isso, não é recomendado para pessoas que precisam de solução urgente para um conflito.

TERAPIA JUNGUIANA

Jeff/UOL

Também chamada de psicoterapia analítica, baseia-se nas pesquisas do suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), que começou seus estudos como discípulo de Sigmund Freud, mas depois divergiu do mestre em algumas questões fundamentais. Enquanto a psicanálise é mais retrospectiva, buscando o autoconhecimento em aspectos inconscientes ocultos no passado (geralmente na infância), a psicoterapia junguiana é mais prospectiva, vislumbrando o futuro. Se na psicanálise o paciente busca aprender a lidar com o ser humano que se tornou, na psicoterapia junguiana ele buscará superar seus conflitos. Para acessar o inconsciente, o terapeuta utiliza bastante os sonhos dos pacientes e leva em consideração, também, o que Jung batizou de “inconsciente coletivo”: imagens, pensamentos e experiências, comuns a todos os seres humanos, que interferem na saúde emocional.

 

TERAPIA LACANIANA

Jeff/UOL

Idealizada pelo francês Jacques Lacan (1901-1981), essa é uma variação da psicanálise de Freud. O método utiliza a mesma tática de livre associação, para fazer com que o paciente reflita sobre seus dilemas. No entanto, há muito mais interrupção do terapeuta nesse método, quando comparado ao freudiano. O analista pode quebrar a continuidade da sessão no momento que achar importante, mesmo que seja preciso dar um corte brusco, e pedir para o paciente pensar sobre o que foi falado. Por isso, a duração das sessões de psicanálise lacaniana é variável: pode durar poucos minutos ou mais de uma hora.

TERAPIA REICHINIANA

Jeff/UOL

Os terapeutas desse método trabalham com a ideia de que sentimentos reprimidos (medo, angústia e raiva, por exemplo) são refletidos no corpo, causando problemas físicos como dores de cabeça, hipertensão, asma e gastrite. Essa terapia baseia-se nos estudos do analista austro-húngaro Wilhelm Reich (1897-1957) e é indicada para pessoas que não queiram apenas tratar distúrbios psicológicos, mas encontrar solução para incômodos físicos. Nas sessões de terapia são usadas técnicas respiratórias, de postura corporal e de massagem.

TERAPIA COMPORTAMENTAL

Jeff/UOL

Baseia-se na percepção de que estímulos do ambiente podem modelar nosso comportamento. Por isso, o terapeuta costuma propor estratégias comportamentais que podem gerar mudanças na vida dos pacientes. A técnica é bastante utilizada para o tratamento de pessoas que sofrem de estresse pós-traumático e transtornos de impulsos, como as compulsões. Ao terapeuta, cabe o papel de avaliar detalhadamente os sintomas do paciente, em quais condições ou situações eles aparecem e as consequências. Já o paciente precisa estar motivado para aderir ao tratamento e aceitar as tarefas propostas pelo especialista.

TERAPIA COGNITIVA

Jeff/UOL

A maneira como as pessoas interpretam suas experiências determina como elas se sentem e se comportam. Essa é a base da terapia proposta, inicialmente para tratar a depressão, pelo psiquiatra norte-americano Aaron Beck. O método apresenta estratégias para corrigir distorções de pensamento, como, por exemplo, ter uma visão muito negativa de si mesmo (comum no caso dos depressivos). Costuma ser utilizada no tratamento de dependência química, transtornos de ansiedade, alimentares e de personalidade. Em alguns casos, faz uso de técnicas da terapia comportamental (sendo, então, chamada de Terapia Cognitivo-Comportamental, TCC).

Jeff/UOL

TERAPIA FAMILIAR E DE CASAL

É um método indicado para tratar crises nessas relações. Algumas das indicações são a existência de risco de ruptura familiar, a presença de doença física ou mental grave em algum membro da família ou problemas de comunicação e dificuldades de ordem sexual entre os casais. Em todos os casos, as partes envolvidas na crise devem estar presentes nas sessões terapêuticas, não basta que só um lado compareça. As terapias não são indicadas quando algum dos envolvidos tem problemas individuais que necessitam de tratamento prévio ou escondem segredos que, caso sejam revelados, possam provocar o fim das relações familiares.

 Jeff/UOL

PSICODRAMA

O método utiliza da dramatização para lidar com temas diversos. É mais utilizado em terapias em grupo do que individuais e aplicado não só em consultório, mas também em escolas, projetos comunitários e empresas. A partir da definição de um tema a ser trabalhado, os participantes encenam papéis e, depois, compartilham as suas experiências com o grupo. A ideia é que, dessa maneira, as pessoas fiquem mais soltas para manifestar pensamentos, falar sobre conflitos e dilemas morais. A técnica foi criada pelo psiquiatra romeno Jacob Levy Moreno (1889-1974), que acreditava que a saúde mental melhora ao trabalhar a espontaneidade e criatividade.

Jeff/UOL

GESTALT TERAPIA

O foco desse método é levar o paciente a restaurar o contato consigo mesmo, com as outras pessoas e com o mundo. Parte do pressuposto de que o ser humano tem a capacidade para se autorrealizar e desenvolver o próprio potencial. O gestalt-terapeuta procura estabelecer uma relação menos formal com o cliente, que é estimulado não só a falar sobre os próprios dilemas, mas, também, a expressar-se por meio de desenhos, pinturas, gestos e dramatização. Dentre as técnicas utilizadas, o terapeuta pode sugerir a visualização de ilustrações que fazem o paciente pensar sobre o todo e a parte; o negativo e o positivo, o cheio e o vazio, de forma a exercitar e estimular diferentes percepções da realidade.

Jeff/UOL

TERAPIA EM GRUPO

Esse é o método utilizado para tratar um grupo de pessoas com um problema em comum, que pode ser desde a vontade de perder peso ou parar de fumar até uma fobia social. Apesar de oferecer um melhor custo-benefício para o paciente, para progredir na terapia em grupo é preciso estar motivado para participar e envolver-se emocionalmente com outras pessoas, não ter medo de se revelar e ter a capacidade de se solidarizar com os problemas alheios. A discordância com as normas do grupo, assim como a incompatibilidade com um ou mais membros, pode invalidar a experiência.

(Via Uol)

 

Posts relacionados: