1fi01_0Número de diagnósticos em crianças entre 6 e 12 anos teve elevação, segundo a Organização Mundial da Saúde. Congresso de psiquiatria realizado no Rio será aberto aos pais

O número de diagnósticos de depressão e ansiedade em crianças entre 6 e 12 anos passou de 4,5% para 8%, nos últimos 10 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade alerta que 75% dos adultos que apresentam quadro de depressão crônica têm histórico desde o período da infância. Melancolia, enurese (xixi na cama), encoprese (eliminação de fezes involuntária), insônia e pesadelos podem ser indicativos das doenças nos pequenos.

O psiquiatra infantil Fábio Barbirato explica que junto com o autismo e a hiperatividade, a depressão e ansiedade são transtornos psiquiátricos mais comuns na infância e adolescência. O especialista destaca que nem sempre esses males são fáceis de identificar, já que podem ser confundidos com outras doenças e viroses.

“No caso da depressão, crianças em idade pré-escolar (até 5 anos) tendem a desenvolver sintomas como melancolia, enurese (xixi na cama), encoprese (eliminação de fezes involuntária) e crises de choro. Também podem ocorrer regressão no desenvolvimento psicomotor, insônia e pesadelos. Já em crianças na idade escolar (de 6 a 12 anos), os sintomas estão mais relacionados a aspectos de sociabilidade, como dificuldade acadêmica, problemas de relacionamento com a família e os colegas, irritabilidade e agressão crescentes, tédio, ganho ou perda de peso excessivo, cefaleia e dores de estômago”, aponta.

Barbirato esclarece que, entre os adolescentes, a depressão pode provocar comportamentos anedóticos (incapacidade de sentir prazer), com quadros de tristeza intensa, condutas antissociais, ataques de pânico, queda no rendimento escolar, hipersonia (sonolência em excesso), e em casos mais extremos, promiscuidade sexual, abuso de drogas e até mesmo suicídio.

“Quanto mais cedo a doença é identificada, mais fácil e eficiente é o tratamento e, muitas vezes, não é necessário que a criança tome medicamentos, uma boa terapia pode resolver o problema”, aponta.

Capacitação – Para capacitar profissionais, como pediatras, psiquiatras e pedagogos, e pais a reconhecer precocemente os sintomas da depressão e ansiedade, será realizado no Rio de Janeiro o 1º Congresso Nacional de Psiquiatria da Infância e Adolescência. Com o tema “Modernidade, Ciência e Mitos em Psiquiatria da Infância e Adolescência”, o evento acontece entre os dias 6 e 7 de dezembro e é o primeiro do tipo a ser realizado no país. No programa, assuntos importantes como novidades no tratamento e diagnóstico do Autismo, Bullying, além de bipolaridade na infância e a dislexia. Entre os temas que serão abordados estão Autismo, Bullying, Bipolaridade e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

“O interessante deste congresso é que ele além de reunir psiquiatras de referência, também será aberto a um baixo custo aos pais de crianças com transtornos. Eles poderão ter acesso às novidades relacionadas aos tratamentos e ainda participar de palestras onde irão tirar dúvidas e trocar informações com outros pais e profissionais renomados no setor. Oferecer esse suporte a eles é muito importante, já que muitas crianças não recebem tratamento desde cedo por conta da falta de informação, ou até mesmo do preconceito dos pais”, destaca Fábio Barbirato, que é um dos responsáveis pelo congresso.

Entre os psiquiatras que participarão do Congresso estão Renata Mousinho, da UFRJ, e Paulo Matos, da mesma instituição, que falará sobre mitos e realidades sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, doença que acomete cinco em cada cem crianças no Brasil. Outro nome de destaque é o do gaúcho Luiz Augusto Rohde. Um dos psiquiatras mais importantes do mundo, Rohde foi o único brasileiro a auxiliar a Academia Americana de Psiquiatria a estabelecer parâmetros para o comportamento infantojuvenil, definindo o que é ou não doença, como hiperatividade e autismo. No Rio, ele vai tirar dúvidas de profissionais de saúde, pais e educadores sobre o tema.

O diagnóstico e os sinais precoces do autismo também serão temas presentes no congresso.

“A desinformação é a principal inimiga dos autistas. Ela gera o preconceito que persegue os pais e os impede de procurar ajuda o quanto antes. Outro agravante é a tentativa da família em “normatizar” uma pessoa que simplesmente não está apta para tal adequação”, completa Barbirato.

O congresso será realizado no Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) (Rua Visconde de Silva, 52, Botafogo).
Inscrições pelo e-mai lsimposiocomportamento@gmail.com.
Mais informações pelo telefone 2533-0118.
Fonte: O FLUMINENSE

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