Por Sandra Abud

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Ansiedade é um grande mal-estar físico e psíquico.  É uma aflição incontrolável. Ansiedade é sofrer por antecipação o tempo todo.

Para quem sofre de ansiedade crônica, parece ser impossível ajustar seu relógio pessoal com o relógio real, objetivo que serve de referência para os calendários e o tempo. Em certas situações, a pessoa anseia desesperadamente para que certo momento desejado se aproxime, e em outras, torce  para que o evento temido demore bastante ou não chegue nunca. De uma forma ou de outra, não se vive o presente e a tensão acumulada causa um estresse emocional que chega a proporcionar sintomas físicos como sudorese, palpitação cardíaca, insônia e irritação.

A ansiedade é um comportamento natural do ser humano, desde que controlada.

A ansiedade garantiu a sobrevivência da espécie humana até hoje: o antigo homem das cavernas, constantemente ameaçado pelos predadores naturais, tinha de estar sempre alerta para salvar a si e aos outros. Hoje, com abrigo e comida muito mais acessíveis, o panorama mudou, as situações ameaçadoras são diferentes, mas a capacidade de enfrentamento é a mesma. Na atualidade, a ansiedade passa a ser contínua em uma sociedade competitiva, exigente, pautada no pensar e agir, constante e rápido. As inovações que a modernidade trouxe carregam consigo muitos compromissos profissionais e pessoais, aliada a problemas como trânsito, violência urbana, poluição e agressividade. Se certa dose de medo e preocupação com o futuro podem ser consideradas aceitáveis e recomendáveis, torna-se um transtorno guando foge do controle.

Respiração acelerada, batimentos cardíacos avançados, fadiga, dificuldades de concentração, tonturas, sensação de sufocamento, desconforto no abdômen, boca seca e pensamentos confusos são sintomas de ansiedade.

Sendo a ansiedade patológica um dilema que envolve a imensa complexidade da mente, a solução passa pela ajuda da psicoterapia, que usará de técnicas próprias para reorganizar a forma de o paciente interpretar e encarar o problema que o aflige. Trata-se, literalmente, de dominar a mente e impedir o fluxo contínuo de pensamentos negativos, o qual contamina. E, não raro, as reais causas que levam ao transtorno estão bastante escondidas e envolvem traumas que a pessoa sequer se dava conta de que já existiam anteriormente.

Interessa viver o presente, evitar o sofrimento antecipado, procurar ajuda profissional, se necessário.

(*) Psicóloga Clínica
sandrasba@uol.com.br

(Via Jornal da Manhã Online)

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