Empresário britânico perdeu o pavor de aranhas depois de uma cirurgia no lobo temporal

Caminhos neurológicos do pânico foram eliminados em cirurgia; técnica deve ser testada em outros pacientes Foto: Marcelo Becker / Agencia RBS

Caminhos neurológicos do pânico foram eliminados em cirurgia; técnica deve ser testada em outros pacientes
Foto: Marcelo Becker / Agencia RBS

Se você tem pavor de ficar no escuro, medo de altura, aracnofobia ou outros terrores, saiba que eles podem desaparecer da noite para o dia. Para isso, porém, você tem que passar por uma cirurgia para retirar um pedacinho do seu cérebro.

Pela primeira vez, um homem perdeu completamente o medo de aranhas que carregava desde criança. E foi por acidente.

Um empresário britânico de 44 anos foi submetido a uma operação na amígdala — área do lobo temporal do cérebro responsável pelas emoções — para curar um problema de convulsão. Os médicos removeram um pedacinho do seu cérebro. Quando acordou da cirurgia, o pânico de aranhas havia sumido.

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Se antes ele tinha que jogar objetos em direção a uma aranha ou imobilizá-la com spray de cabelo antes de sugá-la com um aspirador de pó, agora o homem consegue tocar no artrópodo e observá-lo de perto sem sentir nojo. Aliás, dizem os médicos, o paciente passou a definir aranhas como “animais fascinantes”.

O britânico foi observado pelo cientista Nick Medford, da Escola de Medicina Brighton e Sussex, no Reino Unido. O pesquisador diz que é difícil saber por que esta fobia específica foi eliminada da lista de temores do homem (ele continuou com outras ansiedades, como falar em público, por exemplo). Ele sugere que pode ter a ver com o fato de que temos dois tipos de resposta ao medo.

— É como quando você vê uma cobra e imediatamente pula para trás, como em um reflexo. Mas quando você se dá conta, não era uma cobra, e sim um pedaço de pau. É sua resposta rápida de pânico: não é muito certeira, mas necessária para a sobrevivência. E existe outro tipo de medo que se processa mais lentamente, mas é mais preciso — diz Medford.

O cientista sugere que, no caso do empresário, os caminhos neurológicos relacionados ao “pânico rápido” foram eliminados com a remoção da amígdala esquerda. A direita, responsável por medos mais generalizados, ficou intacta. Por isso, ele perdeu o temor de aranhas, mas não o pavor de falar em público.

A equipe de Medford está estudando aproveitar pacientes que forem passar por cirurgia no lobo temporal para tentar confirmar a teoria. Os médicos pretendem testar a fobia das pessoas antes e depois da cirurgia, para ver se o resultado se repete. Operar o cérebro apenas para este fim ainda está fora de questão, por ser um método invasivo. Segundo eles, existem outras maneiras mais amenas para vencer ou enfraquecer os medos, como remédios e tratamentos psicológicos.

(Via Zero Hora)

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