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Cientistas encontram uma área no cérebro que controla a confiança e a desconfiança. Dose de oxitocina é capaz de aumentar a vontade de confiar em alguém Por Michelle Vargas Uma pesquisa realizada na Universidade de Zurique, na Suíça, identificou a área do cérebro que controla o sentimento de confiança – e, também, o de desconfiança. Isso foi possível através de dois jogos com um grupo de voluntários, cujos cérebros foram monitorados. O grupo de cientistas, liderado por Thomas Baumgartner, criou uma forma de verificar os efeitos da oxitocina no desenvolvimento da confiança. Aos voluntários eram dadas algumas “unidades monetárias” que, ao fim do jogo, seriam convertidas em francos suíços (cada unidade valia 40 centavos de franco).

Os pesquisados, via computador, precisavam determinar quanto da moeda fictícia pretendiam “investir”, repassando essa quantia a outro membro do grupo. Essa segunda pessoa investiria essa quantia a seu critério e dividiria os lucros com o primeiro participante, caso quisesse. Por exemplo: se o investidor cedesse todo o dinheiro, mas, o membro que representasse o gerente do banco optasse por não dividir o lucro, o investidor sairia sem nada. As regras, obrigatoriamente, deixavam a decisão arriscada, pois dependia do quanto o investidor confiava na idoneidade do gerente do banco no outro lado. Os experimentos mostraram que os investidores que inalaram oxitocina confiaram mais nos gerentes do que os que receberam um placebo (substância sem efeito).

Depois desse resultado, ficou a dúvida: será que a influência da oxitocina consistia em aumentar o grau de confiança ou ela apenas fazia com que a percepção do risco envolvido diminuísse? Essa foi a segunda pergunta que o estudo respondeu, ao trocar a decisão do gerente humano por um resultado aleatório, produzido pelo computador. Depois de informados de que a distribuição do lucro seria aleatória, transformando o investimento numa aposta de jogo de azar, tanto os voluntários que tomaram oxitocina como os que não tomaram ficaram igualmente cautelosos. Ou seja: ambos souberam avaliar igualmente os riscos, confirmando que a substância realmente regulava a confiança que uma pessoa tem em outra. Os resultados, publicados na revista “Nature”, mostraram que o hormônio era capaz de reduzir a atividade cerebral nas áreas que controlam as sensações de medo e perigo e das que administram o comportamento futuro, de acordo com a possibilidade de receber uma recompensa. No entanto, isso só acontecia durante o primeiro jogo, que envolvia confiança – não no segundo, que trabalhava apenas com o risco. A oxitocina Essa substância foi encontrada em um tipo específico de roedores, que tende a ser monogâmicos. Baseados nisso, pesquisadores foram estudá-la para saber o que era e como funcionava.

A oxitocina é um hormônio produzido pelo hipotálamo e tem papel fundamental na amamentação e nas contrações uterinas pós-parto. Também está ligada à indução do trabalho de parto e ao processo de lactação. Mas, ninguém sabia que ela participava de forma tão ativa em um processo como o da confiança. De acordo com o terapeuta Geraldo Possendoro, especialista em comportamento, a oxitocina sensibiliza certas regiões do sistema límbico (cérebro emocional) que pode aumentar a freqüência do comportamento monogâmico. “Existem dados controversos que afirmam que, quanto mais potentes os orgasmos, maior a liberação de oxitocina. E, se a mulher estiver ovulando nesse período, devido à necessidade de procriação, ela tende a ser mais monogâmica”, explica. Vários especialistas a denominam como o “hormônio do amor”.

Assim como a prolactina, a concentração de oxitocina aumenta 400% depois do orgasmo. “A suposta liberação dessa substância, somada a um relacionamento de afeto, talvez, aumentem as chances do casal manter-se unido e fiel por um longo período”, afirma Possendoro. Fonte: Itodas

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