Sem disposição para se levantar, problema é confundido com depressão e apatia

A psicóloga Luciana Maria Silva aprendeu a conviver com os sintomas da narcolepsia

A psicóloga Luciana Maria Silva aprendeu a conviver com os sintomas da narcolepsia

A falta de vontade para encarar o início de uma nova semana ou dias chuvosos e nublados parece ser um convite para passar mais alguns minutos na cama. Mas, em algumas pessoas, essa obsessão em ficar na posição horizontal pode ser sintoma da clinomania – distúrbio caracterizado pelo desejo excessivo de ficar deitado.

O problema pode aparecer em qualquer faixa etária, no entanto mulheres entre 20 e 40 anos são as mais afetadas, de acordo com especialista em sono pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) Shigueo Yonekura. “As idosas também fazem parte do grupo de risco”, diz o neurologista.

Classificada como uma desordem de ansiedade, Yonekura explica que a clinomania é um tipo de manifestação de neurastenia, ou seja, um tipo de transtorno psicológico resultado do enfraquecimento do sistema nervoso central, que faz a pessoa se sentir muito melhor na posição horizontal. “Elas têm uma vontade imensa de ficar deitadas, podendo permanecer nessa posição por dias, e isso não significa estar com sono. A vontade está em querer ficar nessa posição o tempo todo, acordada ou dormindo”, afirma.

Outro aspecto é que pessoas acometidas desse distúrbio são frequentemente julgadas como preguiçosas. “O preguiçoso é o indivíduo avesso a atividades que mobilizem esforço físico ou mental. Na clinomania, existe só a condição de querer ficar deitado”, esclarece o médico do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba, em São Paulo.

Além da discriminação, o distúrbio também pode ser confundido com depressão, apneia e até outros transtornos do sono. “A pessoa parece ter um amor incondicional por travesseiros e cobertas. Em dias chuvosos e nublados, os sintomas são mais comuns, e a vontade de ficar na cama é irresistível”, diz o médico.

Em sites e nas redes sociais, não é difícil encontrar pessoas relatando o problema. “Às vezes, sinto vontade de me levantar e estudar, mas parece que falta impulso. Chego a arrumar desculpas para desmarcar compromissos e poder continuar deitada”, disse a enfermeira Joice Espíndola, pedindo ajuda pela internet.

“A cama não me larga. Eu tento fazer alguma coisa, mas não tenho força nem ânimo. Eu me sinto uma morta- viva, e essa situação está acabando comigo”, também se queixou Lenice Loyola.

Ajuda – a clinomania vem sem aviso, e, infelizmente, a medicina ainda não descobriu como preveni-la. Porém, se não tratado, o distúrbio pode prejudicar a rotina de trabalho e na escola. “O diagnóstico deve ser feito pelo médico. Em alguns casos, pode surgir a necessidade do uso de medicamentos, pode ser feito por meio de acompanhamento psicológico com psicoterapia e exercícios físicos para controlar o problema”, conta Yonekura.

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Conheça outros distúrbios que afetam a qualidade do sono

Síndrome das pernas inquietas: condição frequente que acomete até 7% da população ocidental. O indivíduo queixa-se de um desconforto, que gera necessidade compulsiva de movimentar as pernas à noite.

Sonilóquio: consiste na vocalização de sons durante o sono, sílabas e frases, geralmente ininteligíveis e desconexas.

Paralisia do sono: sensação de não conseguir movimentar o corpo geralmente após o despertar. Dura poucos minutos, porém o suficiente para trazer um desconforto para o indivíduo.

Terror noturno:  frequente em crianças, com picos aos 5 anos, mas tende a melhorar com o tempo. A crise pode durar até cinco minutos, e a criança grita como se estivesse sendo atacada.

Sexomnia: é um tipo de sonambulismo com comportamento sexual que afeta homens e mulheres de diferentes idades. A pessoa anda e fala, além de mexer em si mesma ou em outra pessoa (pacientes podem gemer, se masturbar e até praticar sexo enquanto dormem).

 

(Via OTempo | Fonte: Associação Brasileira do Sono e Clare)

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