Mais de 57 milhões de pessoas possuem, pelo menos, uma conta vencida. Muitos admitiram que passava por problema emocional na hora da compra

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Por Veruska Donato

Pesquisa feita em todas as capitais brasileiras mostra que mais de 57 milhões de pessoas possuem, pelo menos, uma conta vencida há mais de 90 dias. Mas o que chamou mesmo a atenção dos pesquisadores do SPC Brasil foi que muita gente admitiu que passava por algum problema emocional no momento da compra e isso pode ter contribuído para que se excedessem.

A pesquisa foi feita com consumidores maiores de 18 anos, de todas as classes sociais, que possuem, pelo menos, uma conta vencida há mais de 90 dias. As mulheres representam 60% dos devedores e os homens 40%. A maioria tem entre 25 e 34 anos. No ano passado, essa faixa de idade representava 30% dos devedores. No primeiro semestre deste ano, eram 37%.

O valor da dívida média subiu 33,7% e passou de R$ 4.007,27 para R$ 5.357,96. A maioria dos devedores é casado ou tem união estável (48%).

“Hoje 57 milhões estão inadimplentes no Brasil e a inadimplência vem aumentando, mesmo no cenário de queda de vendas, de redução de demanda. É uma situação econômica pior que, no entanto, ainda não contribuiu para mudar alguns hábitos ruins de consumo e de falta de planejamento financeiro”, analisa Flávio Borges, gerente financeiro do SPC Brasil.

As principais razões que os consumidores apontaram para deixar de pagar suas dívidas foram a perda de emprego (33%) e a falta de controle ou planejamento financeiro (21%).

A manicure Alessandra Alves admite que é uma gastona e não resiste a uma vitrine. Ela compra mesmo e quando está ansiosa, piora: “Ver uma promoçãozinha, só mais um sapatinho. Com a ansiedade do dia a dia e você acaba comprando e você acha que vai passar e acaba não passando”.

Tem muita gente como a Alessandra. Os pesquisadores quiseram saber se o consumidor estava passando por algum problema na hora da compra. Teve gente que disse que estava ansiosa (28%), com a autoestima lá embaixo (11%), acabado de sair de um relacionamento (6%), que estava carente (5%), passando por uma desilusão amorosa (4%) ou ainda respondeu que estava na TPM (2%).

“Sente leveza, compra uma coisa e dá uma felicidadezinha, uma coisa supre a outra”, diz a vendedora Bruna Tanaka. “Na hora, aquela coisa de poder comprar, poder levar para casa, ter uma coisa nova para poder usar”, completa Jacqueline Ornellas, analista de planejamento.

A psicóloga da USP, Leila Tardivo, explica que comprar realmente dá prazer, mas essa não é a solução: “É como se eu tivesse procurando banana em abacateiro. Você não resolve nem o problema básico, o que te levou, e criou mais um. Dá no momento um alívio imediato, mas aumenta dor e sofrimento. Aí tenho dois problemas: o abandono, a separação e dívida no banco”.

Foi o que aconteceu com Eva Rodrigues, cuidadora de idosos. Depois de uma separação, há dez anos, ela saiu comprando. Terminou devendo seis vezes mais do que recebia de salário. Ela já pagou tudo, mas ainda tem coisa que até hoje não usou. “Um sapato que não tem nada a ver, uma blusa que não sente frio, bobagens, louças. Tenho coisa empacotada que nunca usei. Me sentia bem, o máximo, a rica”, relata.

(Via Jornal Hoje)

 

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