Adiar as tarefas pode recompensar a curto prazo, mas traz prejuízos mais tarde

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por Maria Rita Horn
Se recompensa a curto prazo, a procrastinação pode trazer prejuízos mais tarde. Gabriela Geara é mestranda no programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e segue estudando o assunto, agora sob a ótica dos impactos negativos na vida dos universitários que deixam para amanhã o que pode ser feito hoje:

— Há até mesmo os impactos financeiros. Os universitários que não conseguem revisar a dissertação a tempo e precisam pagar para alguém fazê-lo ou contratam alguém para traduzir o resumo da tese.

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Ela também enumera os impactos sociais, mais relacionados à família e aos amigos, como alguém que adiou o estudo para as provas durante o semestre inteiro e, ao final do período, não pôde mais sair, ficar com a família, ter atividades de lazer. Uma das consequências pode ser uma grande carga de estresse em pouco tempo.

Para o procrastinador “malandro”, segundo Maria Martha, professora da USP, a consequência social é a perda da admiração de pessoas que tinham implicações na tarefa, como os colegas de classe.

— Ao próprio indivíduo, fica esse estado latente de saber que não está fazendo. Tem também a questão da autoestima. Ninguém gosta de si quando sabe que está prejudicando outros ou fazendo coisas que são condenáveis — ressalta a terapeuta comportamental.

A vida amorosa e os relacionamentos interpessoais também não escapam. Segundo Gabriela, a literatura mostra que alguns casamentos falidos podem ser evidência de procrastinação:

— Muitas vezes, a gente vê brigas porque um parceiro prometeu para o outro que iria fazer tal coisa em um certo prazo e não cumpriu.

Comportamento não é doença

Sob a ótica comportamental, Maria Martha explica que a procrastinação está diretamente relacionada a uma escolha:

— Não tem nenhum terapeuta que não trabalhe com procrastinação. Faz parte da queixa de muitos clientes. O que é isso? É basicamente você adiar a realização de uma tarefa. E você só faz isso diante de um comportamento aversivo somado à recompensa por adiar. Embora ganhe imediatamente, você perde a longo prazo.

Isso quer dizer que, diante de uma tarefa que cause aversão, a pessoa vai escolher a recompensa — neste caso, adiar. Algumas tarefas são naturalmente aversivas. Ninguém gosta de ficar em uma fila de banco ou fazer um exame de sangue, por exemplo.

— Como você maneja? Depois de fazer essas coisas, você arruma um jeito de ter uma compensação — diz Maria Martha.

Mas a procrastinação também pode ser chamada de esquiva, um comportamento normalmente associado às fobias.

— Esquiva vem acompanhada de sentimentos de culpa. Pode desencadear transtorno obsessivo-compulsivo, rituais, resistência à mudança. Na esquiva, quando o estímulo é muito aversivo, a pessoa começa a criar uma série de rituais para evitar aquilo. Então, além de procrastinar, ela pode se tornar maníaca — ressalta a terapeuta comportamental.

Por exemplo, quem tem fobia social adiará ao máximo uma ida a um shopping. Para isso, ela vai fazer antes qualquer tarefa menos importante. Cabe ressaltar que esse adiamento não é, em si, uma doença.

— É um tipo de comportamento. Deprimidos e ansiosos procrastinam. Fobia social pode provocar procrastinação. É uma consequência do distúrbio — completa a professora.

(Via Zero Hora)

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