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Normalmente, as pessoas torcem o nariz quando vão ao dentista. Mas será que a sensação da consulta é realmente desagradável ou existe uma boa dose de preconceito? Segundo a cirurgíã-dentista, Ana Paula Pasqualin Tokunaga, do blog Medo de Dentista, é difícil determinar o limite entre incômodo físico e psicológico.

Na opinião da profissional, existem procedimentos desconfortáveis realizados no consultório do dentista, mas não são todos, nem a maioria. “O paciente se encontra numa posição vulnerável, a boca é uma parte muito íntima do nosso corpo. Por outro lado, as pessoas costumam, sim, trazer consigo uma ideia pré-concebida do atendimento odontológico, baseada em experiências alheias”, diz Ana Paula.

Com base em sua experiência, a dentista chegou à conclusão que o medo dos pacientes é um paradoxo. Em primeiro lugar, eles têm medo de sentir dor. Em segundo lugar, por incrível que pareça, o receio é daquilo que os impede de sentir dor: a anestesia. “A agulha gengival é muito fininha e flexível, diferente daquelas usadas em injeção, mas mesmo assim muitas pessoas recusam a anestesia com medo da dor da punção”, afirma Tokunaga. Ela explica que se o dentista sugere a anestesia é porque realmente é necessária. “Em situações como essa, o atendimento fica comprometido e, até, inviabilizado”.

É aí que o cuidado deve ser redobrado. Quando o medo impede que a pessoa tenha uma vida normal, é sinal de fobia. Isso também vale para o dentista. “A fobia transcende a ansiedade e, principalmente, a razão. No caso da fobia de dentista, pessoas com problemas bucais sérios, com dor, infecções e abscessos, deixam de procurar os cuidados profissionais mesmo sabendo que essa é a única forma de resolver o problema”, diz a dentista.

Outro risco são os ferimentos que podem ser causados com os instrumentos que quase sempre são cortantes ou têm pontas. “Em caso de um movimento brusco do paciente, virar o rosto com medo, por exemplo, podem acontecer lesões em tecidos moles (gengiva, mucosas, língua), isso é mais comum de acontecer com crianças”, afirma Ana Paula.

Para evitar esse tipo de acidente, alguns pacientes precisam ser sedados. A sedação consciente com óxido nitroso, o “gás do dentista”, é uma tendência nos consultórios odontológicos brasileiros. “É uma técnica muito segura e que traz excelentes resultados no controle da ansiedade e na percepção do paciente à dor”. Para que o dentista utilize esse tipo de sedação é necessário fazer um curso específico e estar habilitado, além de adquirir o equipamento necessário.

O blog Medo de Dentista reúne, em uma lista, profissionais preparados para atender às necessidades dos pacientes com medo ou odontofobia. Eles são cadastrados voluntariamente.

Para acabar com o medo

Vá sempre ao dentista. É essencial que as pessoas desenvolvam a cultura da prevenção, de cuidar para não ter que tratar. Tem-se o mau costume de procurar o dentista apenas quando o dente dói e o rosto incha, mas quando o problema já está instalado nem sempre é possível garantir um atendimento sem desconforto. “Se as pessoas fossem ao dentista pelo menos uma vez por ano, qualquer problema em curso seria detectado precocemente e interceptado, resultando em tratamentos muito menos invasivos e potencialmente desagradáveis”, diz Ana Paula.

Fonte: Terra

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