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Reação fisiológica, comportamental e psicológica, ela pode estar presente na mudança de emprego e em pequenas coisas da vida. Mas a verdade é que pode comprometer a saúde e chegar ao nível de pânico

Por: Aparecida Andrade da editoria de Cidades

Você costuma sentir angústia, aflição, perturbação do espírito causada por incertezas da vida, como a mudança para um emprego novo, a expectativa em ser aprovado em um concurso, na compra do primeiro carro, no nascimento do filho ou, até mesmo, por coisas simples do dia a dia como atravessar a rua? Calma! Sentir ansiedade é uma reação natural do ser humano frente a uma série de situações nova, de perigo ou ameaça.
“A ansiedade é uma reação fisiológica, comportamental e psicológica, tudo ao mesmo tempo”, explica a psicóloga clínica e psicoterapeuta cognitivo-comportamental Juliane Maguetas Colombo Pazzanese. No entanto, a ansiedade deixa de ser um processo natural do nosso corpo que faz parte da defesa e sobrevivência a qual serve para nos proteger. Quando essas sensações passam a ser disfuncionais.
De acordo com Colombo, uma simples reação de ansiedade pode aumentar até chegar ao nível de pânico. Ela observa que, muitas vezes, as pessoas sentem algumas sensações, mas não as identificam como ansiedade. Sensações como formigamentos, taquicardia, tonturas e falta de ar, fazem parte da gama de reações da ansiedade. “A ansiedade normal passa e voltamos ao nosso estado anterior em pouco tempo. Mas quando essas reações perduram, até mesmo por meses, e causam sofrimento, é necessário buscar ajuda” define especialista.
Para a psicóloga especialista em carreira, coach de executivos e coordenadora do MBA do Ipog em Gestão de Pessoas por competências, indicadores e resultados Cyndia Bressan, a ansiedade é uma doença quando atrapalha a vida da pessoa causando sofrimento psíquico por estar constantemente estressada e ansiosa. “Psicologicamente falando, é quando o indivíduo não consegue lidar com as pressões, estresse e demandas do seu dia a dia”, destaca.
Ela acrescenta que a ansiedade é multideterminada, existindo, por tanto, vários fatores que levam a ansiedade, inclusive causas não só genética, como causas do ambiente do trabalho, da família e o próprio histórico de vida da pessoa e experiências passadas. “Psicologicamente, a gente acredita que a ansiedade causa um transtorno de comportamento quando a pessoa não consegue viver seu dia a dia lidar com as pressões e com todas as multidemandas do seu dia a dia”, declara Bressan.
Juliane Colombo adverte que, nestes casos, quando a pessoa fica ansiosa, seu organismo permanece em alerta, buscando alguma ameaça, e tal comportamento começa a se tornar um problema para a pessoa, pois afeta diretamente seu desempenho na vida em geral. “Nosso cérebro está procurando uma ameaça e mantendo a pessoa em alerta, mas como não encontra, começa a buscar internamente algo que ofereça perigo, e é neste momento que a pessoa começa a sentir que ‘está perdendo o controle’ ou que está morrendo”, avalia.
Ela constata que a pessoa realmente vivencia estas sensações, uma vez que elas existem em níveis fisiológicos. E conclui que isso dificulta que a pessoa entenda que é um processo desencadeado por um pensamento, pois ela sente tudo fisicamente. Estresse, preocupação excessiva e recorrente, intolerância à incerteza, aumentando assim os níveis de ansiedade.

Tratamento
A psicóloga Juliane Colombo confirma que a psicoterapia apresenta ótimos resultados no tratamento da ansiedade e dos transtornos da ansiedade. Destaca que, durante o tratamento, o paciente aprende a identificar as sensações e controla-las, seja através de pensamentos ou técnicas de respiração. “Quando nosso corpo percebe alguma forma de perigo, nosso cérebro manda mensagens ao nosso sistema nervoso autônomo: o sistema nervoso simpático se ativa e nos deixa pronto para agir. Passado o perigo, o sistema nervoso parassimpático faz nosso corpo voltar para o estado normal. E tudo isso, em questões de segundos”.
Ela acrescenta que são trabalhados pensamentos que possam aumentar a ansiedade, aprendendo, assim, a monitorar suas preocupações e avaliar o custo beneficio de um determinado comportamento ou pensamento. “Dependendo do nível de ansiedade e do grau de prejuízo causado pela ansiedade na vida do paciente, a psicoterapia pode ser associada ao tratamento com um psiquiatra”, considera.

Quando a carreira é comprometida

Para Cyndia Bressan, psicóloga especialista em carreira no ambiente de trabalho, a ansiedade pode ser causada por fatores que envolvem muitas demandas. Que podem ser causadas principalmente quando as empresas reduzem o quadro de funcionários e muitas vezes não há reposição e acabam sobrecarregando os colaboradores que permanecem na corporação.
Ou até mesmo por estilo de gestão quando, por exemplo, o gestor que, às vezes, é também muito ansioso ou não sabe lidar com todas as suas pressões acaba passando para seus colaboradores demandas exageradas. Bressan alerta que no trabalho ou na carreira o indivíduo deve prestar bastante atenção se ele, de fato, escolheu fazer uma coisa que condiz com o que ele escolheu fazer de uma maneira tranquila e leve.
Na parte organizacional, a especialista considera que a ansiedade começa a atrapalhar o funcionário quando este não dá mais conta de responder em tempo hábil, de maneira adequada ou, ainda, começa a desenvolver alguns tipos de transtornos psicossomáticos.
“Alguns fatores psicossomáticos, que percebemos sobre ansiedade no ambiente de trabalho, se devem a, além da depressão, um estresse contínuo, falta de paciência, aspectos relacionados a dores de cabeça, dores de coluna e, às vezes, dores em alguns membros como perna, braços, ataque cárdia, úlceras, gastrite, refluxos, etc. Tudo isso pode ser sintomas físicos de uma ansiedade”.
Bressan conclui chamando a atenção para o fato de que a ansiedade não é de todo ruim. “Até porque não temos como zerá-la, por isso precisamos saber lidar com ela para que não nos prejudique fisicamente e não atrapalhe a execução de nossas tarefas diárias, seja no trabalho na vida, na família ou em casa”.

(Via Diário da manhã)

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