Sad girl

 |  De

 

A culpa excessiva é um sintoma conhecido da depressão adulta, mas um novo estudo indica que tais sentimentos na infância podem prever doenças mentais futuras, incluindo depressão, ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno bipolar.

A ligação parece centrada na ínsula anterior – uma região do cérebro envolvida na regulação da percepção, das emoções e da autoconsciência que já foi ligada a transtornos de humor e de ansiedade e à esquizofrenia.

Segundo os pesquisadores, crianças que mostram sinais de culpa patológica têm uma ínsula anterior com menor volume, o que é associado à depressão, e tinham maior probabilidade de se sentir deprimidas.

Os pesquisadores da Universidade Washington, de St. Louis, conduziram um estudo longitudinal de 12 anos de 145 crianças de idade pré-escolar.

Com idades de 3 a 6 anos, elas foram avaliadas para buscar sintomas de depressão e culpa. Entre as idades de 7 e 13 anos, as crianças foram submetidas a exames de ressonância magnética a cada 18 meses. A equipe planeja continuar estudando as crianças por mais cinco anos, pelo menos.

Entre as que foram diagnosticadas com depressão, mais da metade mostrava culpa patológica, comparado com 20% das que não sofriam de depressão. Os pesquisadores descobriram que as crianças com altos níveis de culpa, mesmo que não sofressem de depressão, tinham ínsulas anteriores menores – o que prevê depressão mais adiante em suas vidas.

Crianças com ínsulas anteriores de menor volume no hemisfério direito, relacionadas a culpa ou depressão, tinham maiores chances de apresentar episódios recorrentes de depressão clínica quando crescerem.

O estudo, publicado mês passado na revista JAMA Psychiatry, é o primeiro a fazer correlação entre culpa na infância e mudanças físicas no cérebro.

É claro que a direção da causalidade ainda é desconhecida: a culpa na infância pode levar a mudanças no cérebro, mas também é possível que crianças predispostas à depressão tenham maior probabilidade de sentir culpa excessiva.

De qualquer modo, a pesquisa sublinha outra ferramenta potencial para a detecção antecipada de crianças com alto risco de sofrer de depressão. Isso pode ajudar pais e educadores a adotar medidas preventivas.

“Essa pesquisa é muito nova e empolgante porque você pode observar mudanças no cérebro, e ela mostra que a intervir cedo é realmente importante”, disse Michelle New,psicóloga da George Washington University, à The Atlantic. “Rejeitar sintomas precoces é perigoso.”

(Via Brasil Post)

 

Posts relacionados: