Considerado um dos problemas que mais cresce no País, distúrbio deixa de ser uma resposta natural do corpo e passa a prejudicar a vida de milhões de brasileiros

Por NATANY BORGES

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Foi com problemas na rotina de trabalho que Carmem Soares*, de 48 anos, teve os primeiros sintomas do que mais tarde se tornaria um dos problemas enfrentados por mais de 10 milhões de brasileiros**: a ansiedade. Na prática da sala de aula havia dez anos, a ex-professora, após encarar uma situação com a qual não estava acostumada, se estressava com facilidade, encarava dores de cabeça constantes e sentia enjoos no decorrer do dia. Com visíveis indicações de algo estava errado com o seu corpo, Carmem procurou ajuda médica e foi inicialmente diagnosticada com labirintite. “Na época [há 15 anos] me trataram durante três meses com medicações contra a doença, mas quanto mais eu tomava os remédios, mais eu ficava ansiosa e desesperada por não enxergar solução para o meu problema”, relata.

A falta de tratamento adequado, aliado ao estado emocional cada vez mais irregular de Carmem, resultou em um comum transtorno proveniente da ansiedade. De acordo com a psicóloga Aline Vendruscolo, a síndrome do pânico é caracterizada por uma sensação de intranquilidade, apreensão ou insegurança, que vem acompanhada de respostas como taquicardia, respiração ofegante, sudorese e boca seca. Sinais manifestados durante as crises da hoje funcionária pública, Carmem. Ela relata que, na época, até mesmo sair de casa se tornara uma tarefa difícil. “Era muito complicado ir nem que fosse até a esquina. Sentia uma sensação de sufocamento e nervosismo. Tudo o que eu queria era ficar em casa, sem conversar com ninguém, quase uma fobia social”, revela.

Os sintomas desencadeados pelos tipos de transtornos da ansiedade, como a síndrome do pânico no caso de Carmem, vêm de diferentes causas. “O que deve ser observado são as experiências de vida da pessoa, desde a mais tenra infância, como pais perfeccionistas ou muito críticos. Esse padrão faz com que os pequenos tenham receio de tomar iniciativas. Da mesma forma, são os pais superprotetores. Estes podem passar a mensagem de que o mundo é assustador e perigoso”, explica Aline. Além disso, a psicóloga relata que, ao longo da vida, períodos prolongados de tensão emocional decorrentes de problemas pessoais e o próprio fator fisiológico, como oscilações de humor, também contribuem para o surgimento do distúrbio.

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Aline: períodos prolongados de tensão podem desencadear a ansiedade

Porém, diferente do que muitos acreditam, a ansiedade faz bem. Em pequenas doses, ela serve como um estímulo necessário para que a pessoa seja cautelosa frente a situações de perigo iminente. Logo, funciona como um mecanismo de alerta do organismo, cujas reações preparam o ser humano para enfrentar momentos em que ele não se sente à vontade. “É por este motivo que muitas pessoas ficam nervosas quando falam em público ou precisam encarar uma entrevista de emprego”, afirma Aline.

Identificado o transtorno. O que fazer?

Depois de sofrer consequências na vida pessoal, como decidir não ter filhos, perder contato com amigos e evitar viagens de lazer ao lado do marido, Carmem encontrou o início para a recuperação através da psiquiatria. “Testei inúmeros remédios até que o médico acertou a combinação. Hoje, não há a necessidade de eu tomar tantas doses como antigamente, mas ainda preciso deles”. Embora relate que a medicação foi crucial para a melhora do transtorno, a funcionária pública também não descarta a relevância que a psicoterapia teve durante os anos de reabilitação. “Conversar ajuda muito. Mesmo sem crises há três anos, consulto periodicamente e exponho os meus sentimentos ao profissional. Isso me deixa bem e, ao mesmo tempo, aliviada”.

Entre recaídas, superação e, sobretudo, força de vontade, o sucesso do tratamento de Carmem – que persiste até hoje- foi possível graças à ajuda médica e ao apoio incondicional de seu marido. Todavia, atitudes no decorrer do dia a dia colaboram para que o distúrbio não se transforme em problemas mais acentuados. Exercícios físicos, alimentação balanceada e atividades baseadas nos princípios de uma vida saudável contribuem não só para amenizar os sintomas como para evitar que eles apareçam.

Nome fictício
**Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2012

Fonte: Portal Gas

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