Quem sempre fica de olho no email, nas mensagens de celular pode estar sofrendo de ‘telepressão’. E quem exagera não percebe os riscos.

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Pesquisadores americanos identificaram o mal que atormenta muita gente no mundo. São os superconectados, aquelas pessoas que não desligam nunca. Estão sempre de olho no email, nas mensagens de celular. Essas pessoas podem estar sofrendo de telepressão. Tem gente que exagera e acaba nem percebendo os riscos.

Esse novo estudo de cientistas americanos vai ser divulgado em uma das mais importantes publicações de psicologia do mundo. Esse novo termo, telepressão, se refere a essa bomba-relógio provocada por quem não consegue se desligar um minuto.

A mensagem do celular chega, o dono do aparelho se sente pressionado a responder imediatamente, e isso pode desencadear uma série de doenças, como transtornos de ansiedade e até depressão.

Andando pelo shopping, no carro ou mesmo em casa, na hora que seria reservada para o descanso. Para alguns trabalhadores, não dá para desconectar, principalmente quando a pressão por respostas imediatas vem do chefe ou de clientes.

O consultor de projetos Aloisio Oliveira participa de nove grupos de trocas de mensagens pela internet, todos ligados ao trabalho. Não desgruda do celular. “Ele fica carregando debaixo do meu travesseiro, dependendo do toque eu sei da importância ou não de responder. Férias é com o celular em um braço, notebook no outro, na praia, às vezes, tomando uma cervejinha ou não, mas sempre trabalhando”, conta.

As consequências dessa pressão que vem do trabalho e chega por meios eletrônicos foram analisadas por pesquisadoras de uma universidade dos Estados Unidos. Elas batizaram o fenômeno de telepressão. Fizeram várias perguntas para mais de 600 entrevistados que usam tecnologias de mensagens no trabalho. Entre elas: é difícil resistir à vontade de responder uma mensagem imediatamente?

“Acho que é muito importante, se a mensagem chega, seja lá qual hora, como a gente tem coisas que funcionam durante a noite, madrugada, então é importante às vezes responder na hora”, diz o empresário Homero Matheus Fonseca Jr.

No final das contas, esse funcionário superconectado, que responde às mensagens imediatamente, mesmo quando está de folga, pode ficar tão ansioso e cansado que deixa de render tanto no trabalho.

Pode até ficar doente, como aconteceu com a organizadora de interiores Alinne Reis. Ela passou cinco anos escrava do celular e dos computadores. “Além do stress, do nervosismo, a falta do sono, eu acordava de noite pensando que tinha que olhar no computador para ver se tinha e-mails. A parte de cima do meu cabelo todo caiu, minhas unhas caíram”, conta.

O professor de psicologia da UnB Mário César Ferreira diz que trabalhadores e empresas precisam pensar em como colocar limites nessa conexão, porque isso pode trazer prejuízos para todo mundo. “Ele começa a se ausentar do trabalho e, alguns casos inclusive, ele vai trabalhar já relativamente doente, que a literatura tem chamado de presenteismo: corpo presente e espirito ausente. Portanto, rendimento baixo, performance baixa. E isso é o efeito do uso inadequado dessas novas tecnologias da informação e da comunicação”, explica.

O professor da Universidade de Brasília explicou também que a telepressão já está sendo discutida e em alguns países da Europa já estão criando legislação especifica para limitar o número de mensagens fora do horário de trabalho. Na França, este ano, trabalhadores e patrões fecharam um acordo restringindo o uso dessas tecnologias apenas no horário comercial, entre 9h e 18h. O empregado não deve usar e nem o patrão mandar mensagens solicitando trabalho fora do expediente.

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