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Medo das pessoas, de olhares atentos e da opinião do outro. Estas preocupações são permanentes no imaginário de quem sofre com transtorno ansioso social, também conhecido como fobia social ou sociofobia. A síndrome é caracterizada por manifestações de tensão nervosa e desconfortos desencadeados pela exposição à avaliação social.

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Uma janta, um encontro amoroso, uma entrevista de emprego e a necessidade de falar em público são exemplos de situações que despertam ansiedade extrema e incontrolável nos fóbicos sociais. Eles até compreendem que os medos são irracionais, no entanto, dificilmente conseguem se controlar frente a situações de exposição. O motivo? Medo do julgamento, da avaliação, de parecer fraco e demasiadamente ansioso.

fobia social é resultado de um conjunto de fatores sociais e biológicos e tem ligação com o meio em que o indivíduo vive ou viveu. Quando a fobia social se manifesta, muda drasticamente a vida da pessoa e gera pensamentos que antes não existiam. “Eles pensam como as coisas podem dar errado, e como as pessoas vão enxergá-los. Então, dificilmente conseguem enfrentar as situações de exposição”, afirma a psicológica Sabrina Caldeira.

Os medos mais comuns do fóbico são fazer ou dizer algo que seja humilhante ou embaraçoso em alguma situação social, medo de que o próprio medo fique visível aos outros, e tensão com a possibilidade de ser rechaçado ou ridicularizado. Tais receios podem começar cedo, na infância ou adolescência.

Fobia social não tem cura. Uma vez manifestado qualquer transtorno de ansiedade, é preciso que a pessoa aprenda a respeitar seus limites. O tratamento precisa ser coletivo, reunindo paciente e familiares, e a medicação também entra como aliada nesta batalha. “Os familiares precisam compreender que o indivíduo não faz isso porque quer, mas porque não consegue controlar sua ansiedade. Recomendo sempre que os familiares busquem informações e sejam amáveis e compreensivos com a dificuldade do paciente”, explica Sabrina.

A vida do fóbico social, muitas vezes, é recheada de grandes perdas. É o caso de A.T. que prefere não se identificar. A.T. foi criada pelos avós, pois a mãe trabalhava durante todo o dia e não tinha tempo para as filhas. Ela e a irmã não podiam sair sozinhas e acabavam tendo pouco contato com crianças da mesma idade. A timidez acompanha A.T. desde os tempos de escola. Apresentar trabalhos, escrever no quadro, e fazer provas orais eram atividades assustadoras demais para ela. Anos mais tarde, quando tentou ingressar na faculdade, o problema continuou e o sonho do ensino superior ficou para trás.

Atualmente, a vida social da dona de casa é totalmente limitada. “Não posso marcar encontro com amigos ou com familiares em lugares onde há muita gente, não consigo andar sozinha e não gosto de receber as pessoas na minha casa, pois fico muito ansiosa”, relata. Além disso, ela depende do marido para tudo e nunca trabalhou. “Só tentei trabalhar uma vez e não consegui”, lamenta.

A.T já procurou ajuda, mas até a ideia de conversar com um psicólogo é constrangedora demais para ela, que ainda não concluiu o tratamento e não toma remédios para controle do problema. Hoje, ela não trabalha e se dedica somente a cuidar da casa e do filho.

Texto: Bruna Essig (7º sem)

FONTE: http://www.eusoufamecos.net/editorialj/tratamento-da-fobia-social-exige-a-participacao-de-familiares/

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