Síndrome do pânico, TOCs e ansiedade generalizada são alguns dos dramas da atualidade

Por: LITZA MATTOS

Troca de experiências. Para dividir as suas angústias, Vanessa Hallak participa de um grupo de ajuda com 25 pessoas pelo whatsapp

Troca de experiências. Para dividir as suas angústias, Vanessa Hallak participa de um grupo de ajuda com 25 pessoas pelo whatsapp

 

A estudante Vanessa Hallak, 25, não se sente segura para sair de casa. Há três anos ela teve que abandonar o emprego e a faculdade após uma crise, e, toda vez que pensa em assumir um compromisso sério, ela se vê tomada pelo medo e pelo pânico.

Vanessa faz parte de uma crescente parcela da população que, segundo a psiquiatra Tatiana Mourão, tem impulsionado os casos de problemas ligados aos transtornos de ansiedade (síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade generalizada, entre outros). “Vivemos em uma sociedade muito violenta, e isso tudo aumenta a nossa ansiedade. Vejo cada vez mais, tanto nos ambulatórios como nos consultórios, um número maior de casos de estresse pós-traumático”, afirma.

Diante da enxurrada diária de notícias ruins, como número crescente de assaltos, sequestros, acidentes ou catástrofes, estudiosos têm dito que vivemos a “era do medo”, que causa reflexos negativos na vida e na saúde da população.

Vanessa diz que os motivos para o seu comportamento ter mudado a ponto de desencadear a síndrome do pânico foram o estresse e a correria do dia a dia. Ela conta que, na sua antiga rotina, ela saía de casa cedo e só retornava após as 23h, e entre as atividades ela quase não tinha intervalos para descanso. “Um dia acordei com medo de sair na rua e de ficar sozinha. Não queria ir para a faculdade, trabalhar, e achava que ia morrer. No hospital fizeram vários exames, que não acusaram nada”, lembra.

Para a estudante, que desenvolveu a síndrome sem nenhum motivo aparente e sem ter passado por nenhum episódio marcante de trauma, o que mais a incomoda é não conseguir retomar a rotina. “Quando penso em trabalhar, fazer alguma coisa, começo a passar mal. Já tomei mais de 20 remédios, e a principal dificuldade é com o tratamento, para conseguir acertar com medicação”, diz.

De acordo com Tatiana, o sentimento de medo iminente pode, inclusive, agravar os sintomas de quem já tem algum transtorno. “Os prejuízos podem ser muitos. A pessoa vive em estado de grande sofrimento o tempo todo; isso pode levar a um comprometimento social, a produtividade diminui, e eles começam evitar algumas situações”, diz a professora do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

(Via O Tempo)

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